14 e 15/9 SÃO PAULO

Para Gianni Barbacetto, ‘Mãos Limpas deu lugar a multidão de esquemas’

Vinte e cinco anos depois do início da Operação Mãos Limpas, uma multidão de esquemas de propina tomou o lugar do sistema centralizado que existia até 1992. A política deixou de guiar a economia e, agora, é esta que comanda e estabelece novos formas de corrupção na Itália. A conclusão é do jornalista italiano Gianni Barbacetto, um dos autores do livro Operação Mãos Limpas, cujo prefácio foi feito pelo juiz Sérgio Moro. Barbacetto critica ainda a decisão de magistrados, como Antonio Di Pietro, que entraram para a política. “Era um excelente magistrado; tornou-se um péssimo político.” O jornalista estará nesta semana em São Paulo para participar do seminário Desafios Políticos de um Mundo em Intensa Transformação, uma parceria entre o Instituto Teotônio Vilela (ITV) e a Fundação Astrojildo Pereira.

Após 25 anos da operação, onde estão as pessoas que apoiavam Mãos Limpas?

Em 1992, Mãos Limpas, os magistrados de Mãos limpas tinham o apoio de 90% da sociedade italiana, seja da esquerda, seja da direita, porque todos tinham o objetivo de derrotar um sistema que era corrupto. Isso mudou após a vitória de Silvio Berlusconi. Em 1994, nas eleições, Berlusconi usou Mãos Limpas para substituir os partidos políticos que estavam no governo. Em poucos meses, o cenário mudou. Ele se tornou investigado na Mãos Limpas. Berlusconi havia vencido a eleição dizendo ser um empresário de fora do meio político, não comprometido, que era o novo, como se fosse uma alternativa ao sistema corrupto. Muitos italianos – a maioria – acreditaram nele de boa-fé.

Na próxima semana o senhor estará no Brasil. Muitos enxergam semelhantes entre Mãos Limpas e Lava Jato. O que significa para um País descobrir sua elite política nessa situação?

Eu sou muito cauteloso com esses paralelos. Conheço pouco os fatos do Brasil. Na Itália, a maioria, no início, era a favor da Mãos Limpas, enquanto no Brasil uma parte considera a Lava Jato uma operação de limpeza e outra parte a chama de golpe de Estado. Essa divisão na Itália não existia. Isso só aconteceu na Itália três anos depois, quando começaram a dizer que os juízes da Mãos Limpas faziam uma operação política.

Clique para ler a íntegra da entrevista, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo